Você não precisa matar o seu ego (e 5 passos para fazer as pazes com ele)
Muita gente que começa a caminhar na espiritualidade ouve a mesma recomendação: é preciso matar o ego.
O ego seria o vilão da história. O responsável pela vaidade, pelo medo, pelo apego, pela ansiedade. Aquela parte da gente que atrapalha o crescimento e precisa ser vencida, calada, eliminada.
E então começa uma guerra silenciosa. Você se vigia, se critica, se cobra. Cada vez que sente medo, inveja ou insegurança, pensa: lá vem o meu ego de novo. E se sente um pouco mais distante de quem gostaria de ser.
Mas existe uma pergunta que pouca gente faz:
E se o seu ego nunca tiver sido o inimigo?
O que o Bashar diz sobre o ego
Num trecho curto e muito acolhedor, o Bashar propõe um caminho completamente diferente. Em vez de lutar contra o ego, ele sugere fazer as pazes com ele. E a explicação pode mudar a forma como você lida com os seus medos.
Para quem está chegando agora: Bashar é o nome dado a uma consciência canalizada pelo americano Darryl Anka desde os anos 1980.
Você pode acreditar ou não na canalização, mas as ideias sobre crença, escolha e realidade tocam muita gente. Este trecho é um ótimo exemplo.
Para o Bashar, o ego tem uma função simples e importante: ajudar você a focar na experiência da vida física.
É ele que te mantém presente aqui, neste corpo, nesta vida, nesta realidade. Não é um defeito. É uma ferramenta.
O problema começa quando você cresce, muda e se expande. O ego interpreta essas mudanças como uma ameaça.
Ele acha que, se você se transformar, ele vai deixar de existir. E aí reage como qualquer ser que teme pela própria vida: entra em alerta.
Por isso o Bashar sugere conversar com o ego. Dizer a ele, com carinho, algo assim. Em tradução livre:
“Você, pequeno ego, sempre será precioso para mim.”
E deixar claro que ele não vai morrer, não vai acabar, não vai ser abandonado. Que ele sempre fará parte da sua experiência, de um jeito ou de outro.
Quando o ego se sente seguro, ele relaxa. E, quando ele relaxa, para de te jogar no modo sobrevivência.
Por que tentar matar o ego não funciona
Pense numa criança amedrontada. Se você grita com ela, manda calar a boca e diz que ela não deveria sentir medo, o que acontece? Ela se assusta ainda mais. Chora mais alto. Se agarra com mais força.
Com o ego acontece a mesma coisa. Quanto mais você tenta matar o ego, mais ele confirma o próprio medo: eu estou sendo ameaçado. E reage com mais ansiedade, mais controle, mais resistência.
É por isso que tanta gente sente que, quanto mais “trabalha o ego”, mais ele parece gritar. A guerra não acalma o medo. Alimenta.
Três exemplos do dia a dia
A mulher que quer mudar de carreira. Ela sonha em largar o emprego estável para viver do que ama. Toda vez que pensa nisso, vem um aperto no peito e uma lista de motivos para desistir.
Ela se culpa por ser “medrosa demais”. Na verdade, é o ego com medo de perder o chão conhecido.
O homem que começou a meditar. Ele se sente em paz durante a prática, mas briga consigo mesmo cada vez que um pensamento ansioso aparece. Transformou a meditação em mais um campo de batalha.
A pessoa que está saindo de um relacionamento antigo. Ela sabe que precisa seguir, mas sente um medo enorme do novo. Parte dela quer voltar, mesmo sabendo que não é o melhor caminho. É o ego preferindo o sofrimento conhecido ao desconhecido.
Nos três casos, o medo não é sinal de fraqueza. É uma parte de você pedindo segurança.
Acolher não é deixar o ego mandar
Aqui mora uma confusão comum. Muita gente pensa: se eu acolher o ego, vou deixar o medo decidir tudo.
Não é isso. Acolher o ego é como acalmar um passageiro nervoso sem entregar o volante a ele. Você continua escolhendo a direção. Só para de brigar com quem está ao seu lado.
O que é o modo sobrevivência
Você provavelmente já sentiu isso. O corpo fica tenso, a mente acelera, tudo parece urgente e perigoso. Fica difícil pensar com calma, confiar, sentir alegria. Cada mudança parece um risco.
Esse é o modo sobrevivência. Ele é útil quando existe um perigo real. O problema é quando ele vira o estado normal da vida, disparado por mudanças que, no fundo, são boas para você.
Segundo o Bashar, muitas vezes quem aperta esse botão é o ego assustado. Ele não sabe que você está apenas se expandindo. Acha que está morrendo. E faz o que foi feito para fazer: tenta te proteger.
Quando você entende isso, algo muda. O medo deixa de ser um inimigo a combater e passa a ser um sinal: tem uma parte de mim que precisa ouvir que está tudo bem.
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Como fazer as pazes com o seu ego: 5 passos simples
Fazer as pazes com o ego não acontece de uma vez. É uma relação que se constrói aos poucos, com paciência. Estes passos ajudam a começar.
- Perceba quando o medo aparecer. Antes de reagir, apenas note: meu ego está com medo agora. Dar nome ao que acontece já tira você do automático.
- Pare de se julgar por sentir. Medo, insegurança e resistência não fazem de você uma pessoa menos espiritual. São reações humanas. Trocar a crítica pela curiosidade já acalma muita coisa.
- Converse com o seu ego. Pode ser em pensamento ou por escrito. Diga a ele o que o Bashar sugere: você não vai morrer, não vou te abandonar, você sempre fará parte de mim. Pode parecer estranho no começo, mas o efeito costuma ser surpreendente.
- Mostre que a mudança é expansão, não perda. Quando estiver diante de algo novo, lembre a si mesma: não estou deixando quem eu sou para trás. Estou me tornando mais. Isso dá ao ego a segurança de que ele precisa.
- Repita sempre que o alarme tocar. O ego não muda de uma vez. Ele precisa ouvir, várias vezes, que está seguro. Cada vez que você acolhe em vez de brigar, ele confia um pouco mais.
Com o tempo, o medo perde a força. Ele pode até aparecer, mas deixa de dirigir a sua vida.
Importante: se você vive em ansiedade constante, com crises, insônia ou medo que atrapalha o seu dia a dia, procure um psicólogo ou um médico. Cuidar da saúde emocional também é uma forma de acolher o seu ego.
Perguntas frequentes sobre matar o ego
É possível matar o ego?
Segundo o Bashar, não, e nem é necessário. O ego faz parte da experiência física. O caminho não é eliminá-lo, mas criar uma relação positiva com ele, para que ele pare de agir por medo.
Acolher o ego não me deixa mais egoísta?
Não. Egoísmo é agir só pensando em si, muitas vezes por medo de faltar. Um ego acolhido e seguro tende a ficar menos defensivo, e não mais. Quem se sente seguro tem mais espaço para olhar para o outro.
Como saber se estou no modo sobrevivência?
Alguns sinais comuns: tensão no corpo, pensamentos acelerados, sensação de que tudo é urgente, dificuldade de confiar e de relaxar, medo exagerado diante de mudanças. Se isso é o seu estado normal, vale olhar com carinho para o que está acontecendo.
Quanto tempo leva para o ego relaxar?
Não existe prazo. Para algumas pessoas, só entender que o ego não é inimigo já traz alívio. Para outras, é um processo de semanas ou meses. O importante é não transformar isso em mais uma cobrança.
Para se aprofundar: uma leitura que conversa com isso
Se essa ideia de olhar para o ego sem guerra fez sentido para você, vale conhecer O Poder do Agora, do Eckhart Tolle.
O livro mostra como a mente cria medos e histórias que nos tiram do momento presente, e como podemos observar esses pensamentos sem nos identificar com eles e sem lutar contra eles. É um caminho complementar ao do Bashar: em vez de brigar com o que sentimos, aprendemos a olhar com consciência.
É uma leitura para quem quer sair da guerra interna e encontrar mais paz no dia a dia.
Você não precisa lutar contra você
O Bashar nos convida a uma mudança simples e profunda: trocar a guerra pela parceria.
Você não precisa matar o seu ego. Não precisa se envergonhar dos seus medos nem se esforçar para ser alguém sem nenhuma insegurança. Só precisa lembrar que existe uma parte de você que está tentando te proteger, do jeito que sabe.
Quando você diz a ela que está tudo bem, que ninguém vai ser deixado para trás, algo se acalma por dentro. E, desse lugar mais tranquilo, fica muito mais fácil crescer.
Seu ego não é o inimigo. Ele só tem medo. E, a partir de hoje, você pode ser quem acolhe esse medo.
Agora conta pra gente: qual medo o seu ego anda gritando mais alto? Deixe nos comentários, mesmo que seja só uma palavra.
