Como perdoar alguém: o que Bashar ensina sobre romper a corrente com o passado

Domingo, 11h. Você está se arrumando para o almoço na casa da sua mãe e, entre o armário e o espelho, lembra: sua irmã vai estar lá. Pronto. O estômago fecha. Volta na hora aquela conversa de três anos atrás, as palavras exatas, o tom de voz. Você ensaia de novo o que devia ter respondido.

Ninguém disse nada ainda. Você nem saiu de casa. Mas, por dentro, a briga já começou.

Se você já se perguntou como perdoar alguém que te magoou, essa cena talvez explique por que é tão difícil: o passado não ficou no passado. Ele vai junto com você para o almoço.

Resposta rápida: como perdoar alguém, segundo o Bashar? Rompendo a corrente que te liga ao passado, para que aquela experiência não continue se manifestando na sua energia de hoje. Não é aprovar o que aconteceu. É parar de se ancorar nisso. E fica mais fácil quando você entende que todos estamos aprendendo lições, cada um do seu jeito.

O que o Bashar ensina sobre perdão

Num trecho curto, o Bashar dá uma das definições de perdão mais diretas que você vai ouvir, e ela muda a forma de pensar em como perdoar alguém. Em tradução livre:

“O perdão é romper as correntes com o passado para que você não continue manifestando essa experiência na sua energia presente. É isso que é o perdão.”

E ele completa:

“É romper a corrente com algo que aconteceu para você seguir em frente, em vez de se ancorar nisso.”

Repare no que ele não diz. Ele não fala em esquecer, nem em achar que estava tudo certo, nem em voltar a conviver com ninguém. Para ele, como perdoar alguém tem tudo a ver com o seu presente.

São duas imagens fortes. A corrente, que te prende a um ponto. E a âncora, que mantém o barco parado exatamente onde está. Quando você não perdoa, aquilo que aconteceu uma vez continua acontecendo dentro de você, todos os dias.

A corrente invisível no dia a dia

Os exemplos abaixo são nossos, para desenhar por que é tão difícil saber como perdoar alguém.

No trabalho. Um colega apresentou a sua ideia como se fosse dele. Dois anos e outra empresa depois, você não compartilha mais nada em reunião. A pessoa ficou lá. A corrente veio com você.

Na família. Seu irmão sumiu quando a mãe precisou mudar de casa, e toda a mudança caiu nas suas costas. Hoje, qualquer mensagem dele vira um “lá vem ele”. Toda conversa repete a mesma cena.

No relacionamento. O ex terminou por mensagem, sem explicação. No namoro novo, a cada mensagem visualizada e sem resposta, você já se prepara para o fim.

No dinheiro. Um amigo pegou dinheiro emprestado e nunca devolveu. Desde então, você recusa sociedade, parceria e até dividir a conta com alguém. Nenhuma oportunidade passa pelo filtro.

Em todos os casos, o fato é passado. A energia é de hoje. Por isso, entender como perdoar alguém começa por perceber onde a corrente aparece agora. É disso que o Bashar está falando.

Mas ele não para aí. Na segunda parte do trecho, ele amplia a conversa de um jeito que muda o lugar de quem te feriu.

Perdoar fica mais fácil quando você entende que todos estão aprendendo

O Bashar diz que, quando as pessoas entendem como perdoar e deixar ir, e entendem que todos estamos aprendendo lições, cada um do seu jeito, beneficiando a todos ao aprender essas lições e assumir certos papéis, então todos podem começar a seguir em frente, respirar mais leve e expandir o coração.

Ele não explica no trecho que papéis são esses. A nossa leitura é esta: na história de cada um, algumas pessoas ocupam papéis que nos fazem aprender alguma coisa, mesmo quando esse aprendizado dói.

O amigo que não devolveu o dinheiro pode ter te ensinado a combinar as coisas por escrito. O ex que sumiu pode ter te mostrado o tipo de relação que você não aceita mais. Isso não transforma o que fizeram em algo bom. Só tira a pessoa do lugar de vilã eterna da sua vida. E isso muda tudo na hora de pensar em como perdoar alguém.

E aqui vale uma pergunta para você: se a pessoa que veio à sua cabeça agora também estivesse aprendendo uma lição dela, qual seria?

Essa ideia conversa com outro ensinamento do Bashar, o de que os relacionamentos funcionam como espelho. O outro mostra algo sobre você, e você mostra algo sobre ele.

O trecho termina com uma imagem bonita: quando muita gente consegue perdoar, a humanidade inteira se beneficia desse “estado de graça”. No pequeno, você já viu isso acontecer. Basta uma pessoa da família parar de reagir à provocação de sempre para o clima do almoço inteiro mudar.

E é aqui que fica interessante: a psicologia chegou a uma conclusão parecida por outro caminho.

O que a ciência diz sobre perdoar

A ideia de que a experiência fica “na sua energia” é um ensinamento espiritual, e a ciência não mede isso. Mas a psicologia estuda o perdão há décadas e concorda com o Bashar num ponto central: o custo de não perdoar está no presente.

Fred Luskin e o Projeto Perdão de Stanford. O psicólogo Fred Luskin liderou os Stanford Forgiveness Projects, considerados os maiores projetos de pesquisa sobre treinamento de perdão entre pessoas já realizados. Um dos passos do método dele é perceber que o seu maior sofrimento vem dos sentimentos, pensamentos e reações do corpo que você tem agora, e não do que aconteceu há dois minutos ou há dez anos.

Luskin também reforça que perdoar não significa necessariamente se reconciliar com quem te magoou nem aprovar o que essa pessoa fez. Você pode conhecer o método no Greater Good Science Center, da Universidade da Califórnia em Berkeley. fred luskin explains how to forgive +2

Everett Worthington e o modelo REACH. O psicólogo Everett Worthington criou um método de cinco passos: lembrar a mágoa, sentir empatia por quem te feriu, oferecer o perdão como um presente, se comprometer com o perdão e mantê-lo. O método foi testado no maior estudo científico já feito sobre perdão, um ensaio randomizado com 4.598 participantes, em Colômbia, Indonésia, Hong Kong, África do Sul e Ucrânia.

Os participantes usaram um caderno de exercícios feito para ser concluído sozinho em 2 a 3 horas, e quem seguiu o material teve reduções significativas na falta de perdão e nos sintomas de ansiedade e depressão, em comparação com um grupo que recebeu o caderno mais tarde. Mais detalhes no site oficial do REACH Forgiveness. historic forgiveness trial yields global impact reduces anxiety and depression +3

Resumindo: a ciência mostra que o perdão pode ser treinado e faz bem ao bem-estar emocional. A ideia de que a experiência continua se manifestando na sua energia é ensinamento do Bashar.

Agora vamos ao prático.

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Como perdoar alguém em 5 passos

Os passos abaixo sobre como perdoar alguém são nossos, inspirados no que o Bashar ensina e nas pesquisas que você acabou de ver.

  1. Dê nome à corrente. Escreva: “Eu ainda carrego ___ por causa de ___”. Colocar no papel tira a mágoa do automático.
  2. Descubra onde ela aparece hoje. Liste três situações do seu presente em que aquilo ainda pesa, como nos exemplos do trabalho, da família e do dinheiro. Se a corrente vem de muito cedo, vale ler também sobre infância difícil segundo o Bashar.
  3. Separe perdoar de aprovar. Você pode achar que o que fizeram foi errado e, mesmo assim, decidir não carregar mais isso.
  4. Troque o papel de vilão pelo de professor. Pergunte: “O que essa situação me ensinou sobre o que eu prefiro viver?” Essa ideia de preferência também aparece neste artigo sobre por que guardar mágoa prende você.
  5. Repita quando a cena voltar. E ela vai voltar. Respire fundo e diga: “Isso aconteceu. Não precisa mais acontecer em mim hoje.”

Exercício para fazer hoje: a carta que não será enviada

Separe 10 minutos. Escreva uma carta para a pessoa que te magoou, dizendo tudo: o que aconteceu, o que doeu, o que você queria que tivesse sido diferente.

Na última linha, escreva: “Eu rompo a corrente com o que aconteceu para seguir em frente.”

Não envie. Guarde ou rasgue. Quando o assunto é como perdoar alguém, o objetivo não é mudar a outra pessoa.

Ferramentas que ajudam a perdoar

Aprender como perdoar alguém é uma prática, e algumas ferramentas deixam essa prática mais leve:

  • Um caderno só para isso. Escrever ajuda a separar o fato da história que você conta sobre ele.
  • Um app de meditação guiada. Alguns minutos de respiração quando a lembrança aparece ajudam o corpo a sair do modo de defesa.
  • Livros sobre perdão e inteligência emocional. Indicamos um no fim deste artigo.
  • Organização financeira. Se a mágoa envolve dinheiro emprestado, combinar tudo por escrito e manter suas finanças pessoais organizadas evita que a mesma cena se repita.
  • Apoio profissional. Se a dor vem de situações muito graves, conversar com um psicólogo, inclusive em terapia online, pode fazer toda a diferença.

Quem é o Bashar

Bashar é o nome de uma consciência canalizada pelo americano Darryl Anka desde os anos 1980. Você pode acreditar ou não na canalização, mas as ideias dele sobre crença, escolha e realidade tocam muita gente no mundo todo. Saiba mais no site oficial do Bashar.

Perguntas frequentes sobre como perdoar alguém

Perdoar é o mesmo que esquecer?

Não. Para o Bashar, perdoar é romper a corrente com o que aconteceu. A lembrança pode continuar, mas deixa de mandar na sua energia de hoje.

Preciso voltar a falar com quem me magoou?

Não. O perdão acontece dentro de você. Manter distância de quem te faz mal pode ser uma forma saudável de se cuidar.

Como perdoar alguém que nunca pediu desculpas?

O perdão não depende da outra pessoa. Se dependesse, você ficaria preso esperando uma desculpa que talvez nunca chegue.

Quanto tempo leva para perdoar?

Não existe prazo para aprender como perdoar alguém. Algumas mágoas se soltam rápido, outras pedem repetição e, às vezes, ajuda profissional. O importante é não transformar o perdão em mais uma cobrança.

O que o Bashar quer dizer com “estado de graça”?

Ele não detalha no trecho. Pela fala, é o estado em que as pessoas conseguem seguir em frente, respirar mais leve, expandir o coração e se abrir.

Para se aprofundar: O Livro do Perdão

Se você quer ir além e entender melhor como perdoar alguém, O Livro do Perdão, de Desmond Tutu e Mpho Tutu, é uma leitura acolhedora e prática. Os autores propõem um caminho em etapas: contar a história, dar nome à dor, conceder o perdão e decidir se a relação será renovada ou deixada para trás. Conversa muito bem com a ideia do Bashar de romper a corrente sem fingir que não doeu.

Conclusão: o almoço de domingo pode ser diferente

Lembra do almoço de domingo do começo? A sua irmã pode até repetir o mesmo comentário. A diferença é que, sem a corrente, ele não te leva de volta para três anos atrás.

Saber como perdoar alguém não muda o que aconteceu. Muda quem você é quando lembra disso.

Agora conta pra gente: que corrente você quer romper hoje? Escreva nos comentários, mesmo que seja uma palavra só.

E se você está passando por uma fase pesada, leia também sobre o crescimento espiritual nas fases difíceis.

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