Amor-próprio de verdade: por que tudo à sua volta é um reflexo seu

Você já tentou de tudo para um relacionamento dar certo, e mesmo assim ele não saiu do jeito que você queria?

Conversou, cedeu, insistiu, esperou. E quanto mais tentava, mais distante ficava daquilo que imaginou.

Talvez você tenha ouvido aquela frase que virou clichê: é preciso ter amor-próprio antes de amar alguém. Bonita, mas vaga. Ninguém explica o porquê.

Afinal, o que significa ter amor-próprio de verdade? E o que isso tem a ver com aquele relacionamento que não está saindo do jeito que você queria?

Num trecho curto e muito profundo, o Bashar dá uma resposta que vira essa ideia do avesso.

Para ele, você precisa se amar porque tudo à sua volta é um reflexo de você. E quando você rejeita um reflexo, está rejeitando uma parte de si mesmo.

Lago calmo refletindo o amanhecer, reflexão sobre amor-próprio e a lei do espelho

O que o Bashar diz sobre amor-próprio

Para quem está chegando agora: Bashar é o nome dado a uma consciência canalizada pelo americano Darryl Anka desde os anos 1980.

Você pode acreditar ou não na canalização, mas as ideias sobre crença, escolha e realidade tocam muita gente. Este trecho é um ótimo exemplo.

O Bashar começa com uma afirmação forte. Em tradução livre:

“Se você não estiver apaixonado por si mesmo, não consegue estar de verdade apaixonado por mais nada.”

E logo explica: tudo o que você vive, as pessoas, as situações, os relacionamentos, funciona como um espelho. Quando você insiste que um desses reflexos está errado, que não deveria ser assim, você está rejeitando uma parte de si que ainda precisa compreender.

Ele faz questão de deixar claro: não está falando de narcisismo. Amar a si mesmo, nesse sentido, é aceitar que o que está acontecendo, do jeito que está acontecendo, traz alguma informação para você.

Amor-próprio não é narcisismo

Essa diferença é importante, porque muita gente tem medo de se amar e virar uma pessoa vaidosa ou fria.

O narcisismo é uma imagem inflada que precisa ser protegida o tempo todo. O narcisista não aceita nada que contrarie essa imagem. Ele culpa os outros, se defende, controla.

O amor-próprio do qual o Bashar fala é o oposto. É uma relação tão tranquila com quem você é que você não precisa brigar com a realidade. Consegue olhar para o que acontece, inclusive o que dói, e perguntar com curiosidade: o que isso quer me mostrar?

Quem se ama assim não precisa que o mundo confirme o tempo todo que está certo. Por isso consegue amar os outros sem tanta exigência.

A lei do espelho: tudo à sua volta é um reflexo seu

Essa ideia pode parecer estranha à primeira vista. Como uma situação difícil pode ser um reflexo meu?

Pense num espelho. Ele não decide o que mostrar. Só devolve o que está diante dele. É isso que muita gente chama de lei do espelho: a realidade reflete crenças, medos, expectativas e partes de nós que ainda não olhamos de perto.

Isso não significa que você tem culpa de tudo o que acontece. Significa que tudo o que acontece pode te ensinar algo sobre você.

Três exemplos do dia a dia

A mulher que sempre atrai parceiros distantes. Ela reclama que ninguém se entrega de verdade. Quando olha com calma, percebe que também tem medo de se entregar. O reflexo não é castigo. É um convite para olhar esse medo.

O homem que se irrita com a amiga “folgada”. Tudo nela o incomoda. Até que ele percebe que nunca se permite descansar e sente culpa toda vez que para. A irritação mostra uma permissão que ele não se dá.

A pessoa que tenta salvar um relacionamento a qualquer custo. Ela sabe que a relação mudou, mas insiste que tem que voltar a ser como antes. Quanto mais insiste, mais sofre. O reflexo pede que ela solte o controle.

Nos três casos, brigar com o espelho não muda nada. Olhar para ele muda muita coisa.

Amar sem insistir: o que isso muda nos relacionamentos

Esta é talvez a parte mais libertadora do trecho. O Bashar diz que você pode, sim, conversar. Pode explorar a possibilidade de as coisas mudarem numa certa direção. Só não precisa insistir que elas mudem do seu jeito.

Existe uma diferença enorme entre desejar e exigir. Quando você deseja, você se abre. Quando você exige, você se fecha para tudo o que não é aquilo que você planejou.

E depois vem a parte mais corajosa: aceitar o que de fato acontecer como aquilo que precisava acontecer para o bem de todos os envolvidos. Não só para você. Não só para o outro. Para todos.

Se você já sentiu que guardar mágoa de alguém pesa mais em você do que na outra pessoa, essa ideia vai fazer ainda mais sentido. Escrevi sobre isso aqui: Por que guardar mágoa prende você.

Nem todo amor precisa ser do jeito tradicional

O Bashar termina com uma frase que pode doer um pouco: às vezes, amar alguém significa que o melhor é não estar apaixonado do jeito tradicional.

Um casamento que vira amizade. Um namoro que termina com carinho. Uma pessoa que você ama, mas de longe. O amor não acaba só porque mudou de forma.

Deixar que uma relação seja o que ela naturalmente precisa ser é um dos maiores atos de amor. Por você e pelo outro.

Importante: aceitar o que acontece não significa aceitar desrespeito, abuso ou violência. Amor-próprio também é saber sair de uma situação que te machuca. Se você está num relacionamento que te faz mal, procure ajuda de pessoas de confiança ou de um profissional.

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Como cultivar amor-próprio de verdade: 5 passos simples

O amor-próprio não aparece de uma vez. Ele se constrói no jeito como você reage, dia após dia, ao que a vida te mostra.

  1. Quando algo te incomodar, pergunte o que isso mostra. Em vez de “por que isso está acontecendo comigo?”, experimente “o que isso quer me mostrar sobre mim?”. A pergunta muda tudo.
  2. Pare de brigar com o reflexo. Você pode não gostar do que vê. Mas lutar contra o espelho só cansa. Primeiro aceite que é isso que está aí. Depois escolha o que fazer.
  3. Converse sem exigir. Diga o que você sente e o que gostaria. Depois solte. Seu pedido é válido, mas o outro também tem o caminho dele.
  4. Acolha as partes de você que aparecem. Medo, ciúme, insegurança. Elas não fazem de você uma pessoa menos digna de amor. São partes pedindo compreensão. Se esse tema mexe com você, leia também: Você não precisa matar o seu ego.
  5. Confie no desenrolar. Quando uma relação mudar de forma, lembre do que o Bashar diz: o jeito como as coisas se desenrolam é o jeito que serve melhor a você também, mesmo que você ainda não consiga ver como.

Com o tempo, você percebe que já não precisa que tudo saia do seu jeito para se sentir em paz.

Perguntas frequentes sobre amor-próprio

O que é a lei do espelho?

É a ideia de que as pessoas e situações da nossa vida refletem crenças, medos e partes de nós que ainda não olhamos de perto. O Bashar fala disso quando diz que tudo à nossa volta é um reflexo de quem somos. Não se trata de culpa, mas de usar cada reflexo como informação para se conhecer.

Amor-próprio é a mesma coisa que egoísmo?

Não. O egoísmo nasce do medo de faltar e faz a pessoa pensar só em si. O amor-próprio nasce da segurança interna. Quem se ama de verdade tem mais espaço para respeitar e amar os outros.

Se tudo é um reflexo, a culpa de tudo é minha?

Não. Ver a realidade como reflexo não é procurar culpados, nem em você. É usar o que acontece como informação para se conhecer melhor e fazer escolhas mais conscientes.

Como amar alguém sem tentar controlar?

Expresse o que sente e o que deseja, mas sem condicionar o seu amor a que o outro mude. Aceite que a relação pode tomar formas diferentes da que você imaginou e que isso não diminui o amor.

É possível amar alguém e mesmo assim se afastar?

Sim. Às vezes, se afastar é a forma mais amorosa de cuidar de você e do outro. O amor pode continuar existindo, só que de outro jeito.

Para se aprofundar: uma leitura que conversa com isso

Se essa ideia de amar sem controlar fez sentido para você, vale conhecer O Domínio do Amor, de Don Miguel Ruiz.

O autor mostra como os relacionamentos ficam pesados quando tentamos mudar o outro e como tudo fica mais leve quando começamos pelo amor a nós mesmos. É um caminho que conversa muito com o do Bashar: o amor que você dá aos outros nasce do amor que você tem por si.

É uma leitura para quem quer viver relações com mais leveza, verdade e liberdade.

Todo amor começa em você

O Bashar nos lembra de algo simples e profundo: tudo à sua volta é um reflexo. E a forma como você trata esses reflexos mostra a forma como você trata a si mesmo.

Quando você se ama de verdade, não precisa brigar com a realidade nem controlar cada relacionamento. Pode desejar, conversar, explorar caminhos. E depois confiar que o que acontecer está trazendo exatamente o que você precisa aprender.

Se você não se ama, não consegue amar mais nada. Mas a boa notícia é que esse amor pode começar hoje, no próximo reflexo que a vida te mostrar.

Agora conta pra gente: que reflexo a vida anda te mostrando? Responda nos comentários com uma palavra.