O que é Deus? A resposta de Gerry Hussey que muda onde você procura

Você já parou no meio de um dia comum, lavando a louça ou esperando o ônibus, e se perguntou: afinal, o que é Deus? Talvez você tenha crescido ouvindo falar de um Deus distante, lá em cima, que observa e julga. E talvez essa imagem nunca tenha encaixado direito no que você sente por dentro.

Foi exatamente essa pergunta que o psicólogo irlandês Gerry Hussey respondeu de um jeito que tocou muita gente. E a resposta dele muda o lugar onde a gente procura Deus.

Resposta rápida: para Gerry Hussey, Deus é uma frequência, um campo de energia que existe dentro de todos nós, o tempo todo. Todos temos acesso direto a ele. Quando soltamos as emoções e as necessidades do ego, nos conectamos a um sentimento de paz e amor, que ele chama de frequência divina.

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O que é Deus segundo Gerry Hussey

No trecho do podcast On Healing, Gerry começa direto: Deus é uma frequência. É um campo de energia. E nós possuímos isso o tempo todo, dentro de nós.

Repare no detalhe: ele não diz que Deus visita a gente de vez em quando. Diz que está sempre ali. Todos fazemos parte dessa frequência e todos temos acesso direto a ela, sem intermediário, sem senha, sem precisar merecer.

E ele vai além: dentro de cada um de nós existem, ao mesmo tempo, o humano e o divino.

Um exemplo nosso para desenhar a ideia: pense no sinal de Wi-Fi da sua casa. Ele está no ar o tempo todo, mesmo quando você não está conectado. O sinal não some porque o celular está no modo avião. Do mesmo jeito, na visão do Gerry, a frequência divina não vai embora quando você está irritado, cansado ou com raiva. Você só não está sintonizado nela naquele momento.

Mas se ela está sempre ali, por que a gente sente tanto a falta dela? É aqui que fica interessante.

O que nos desconecta: o ego no comando

Gerry explica que a conexão acontece quando despertamos o “observador tranquilo” dentro de nós. É quando vamos além das emoções humanas, das necessidades físicas e das necessidades do ego, soltamos tudo isso e nos conectamos a um sentimento.

E ele faz uma afirmação que vale reler devagar: quando você vê o mundo pelos olhos do ego humano, nada faz sentido.

Veja como isso aparece no dia a dia (os exemplos são nossos):

  • No trabalho: seu colega recebe a promoção que você queria. O ego grita “injustiça”, compara, guarda mágoa. Nada faz sentido.
  • Na família: sua mãe critica o seu trabalho no almoço de domingo. O ego quer revidar e ficar com a última palavra.
  • No relacionamento: seu parceiro esquece uma data importante. O ego transforma isso em prova de que você não é amada.
  • No dinheiro: chega um boleto inesperado. O ego entra em modo de escassez e enxerga só o que falta.

Em todas essas cenas, o “observador tranquilo” seria a parte de você que consegue dar um passo atrás e olhar sem ser engolida pela reação. Não é fingir que não dói. É perceber que você é mais do que aquela dor.

Agora, uma pergunta para você: qual dessas situações aconteceu com você esta semana? Guarde a resposta, porque vamos usar no exercício lá embaixo.

E quando a gente consegue soltar, o que encontra do outro lado?

A frequência divina e a consciência crística

Gerry diz que esse sentimento, que aparece quando soltamos o ego, é a frequência divina, a consciência crística. E conta que teve a sorte de viver isso várias vezes na vida. Nesses momentos, segundo ele, tudo faz total sentido.

O conselho dele é simples e difícil ao mesmo tempo: você só precisa confiar.

Ele também fala que, quando fazemos a nós mesmos as perguntas mais profundas e vamos além da existência humana, pela meditação ou por outro caminho, vivemos uma experiência transcendental. E aí percebemos que estamos conectados a tudo o que existe. Simplesmente faz sentido. E ali não existe nada além de paz e amor.

No fim do trecho, Gerry ainda toca em perguntas que todo mundo já fez: onde estávamos antes de nascer? Ele lembra que não era “o Gerry” antes de nascer, mas precisava existir de alguma forma. Para ele, células, genes e proteínas não se movem sozinhos: existe um espírito que entra no corpo. E ele acredita que, ao fim da vida, voltamos a esse mesmo estado de paz e amor.

Isso é uma visão espiritual dele, não uma conclusão científica. Mas a ciência tem algo curioso a dizer sobre esses momentos de conexão.

O que a ciência diz sobre essa sensação de conexão

A ciência não mede Deus. Mas ela estuda bem de perto a experiência que Gerry descreve: a sensação de o “eu” diminuir e a conexão aumentar.

O cérebro que acalma o “eu”

Em 2011, o pesquisador Judson Brewer e sua equipe, da Universidade Yale, compararam o cérebro de meditadores experientes com o de pessoas que nunca tinham meditado. O estudo, publicado na revista PNAS, mostrou que nos meditadores experientes ficava menos ativa a chamada rede de modo padrão, um conjunto de áreas ligadas a pensamentos sobre nós mesmos e à mente que fica vagando.

Traduzindo: aquela voz interna que fica remoendo, comparando e se preocupando com “eu, eu, eu” fica mais quieta. Parece muito com o que Gerry chama de ir além das necessidades do ego.

As experiências de autotranscendência

Em 2017, psicólogos e neurocientistas liderados por David Yaden, da Universidade da Pensilvânia, publicaram uma revisão sobre as “experiências de autotranscendência”. São estados passageiros em que a gente sente menos o próprio “eu” e mais conexão com o todo. Eles aparecem na meditação, no amor, no deslumbramento diante da natureza e nas experiências místicas.

Os pesquisadores defendem que esses momentos podem estar ligados ao bem-estar, e não a algo errado com a mente.

Para deixar claro: a ciência descreve o que acontece no cérebro e na experiência. Ela não diz se essa sensação é Deus. Essa parte é a visão espiritual de Gerry, e cada um faz a sua leitura.

E para quem tem fé cristã, existe uma ponte bonita aqui.

O que a Bíblia diz sobre um Deus que está perto

A comparação a seguir é nossa. Gerry não citou a Bíblia no vídeo, e as duas visões não dizem exatamente a mesma coisa. Mas elas se encontram em pontos importantes.

O primeiro está em 1 João 4:16 (NVI): “Deus é amor. Todo aquele que permanece no amor permanece em Deus, e Deus nele.”

Quando Gerry diz que, na conexão, não há nada além de paz e amor, ele toca na mesma ideia: o amor não é só algo que Deus dá, é um lugar onde a gente pode permanecer. Por exemplo: quando você escolhe responder com calma ao filho que bateu a porta, em vez de gritar, você está escolhendo permanecer no amor. Naquele instante, Deus não está longe.

O segundo está em Atos 17:27-28 (NVI). Paulo fala de um Deus que quer ser buscado, “embora não esteja longe de cada um de nós. ‘Pois nele vivemos, nos movemos e existimos’”.

É impressionante como isso conversa com a ideia de que todos fazemos parte da mesma frequência.

A diferença, com todo o respeito, é que a Bíblia apresenta Deus como um ser pessoal, com quem a gente se relaciona, e não como um campo de energia. Para muitos cristãos, isso é essencial. A beleza está em perceber que as duas visões convidam para o mesmo movimento: parar de procurar Deus lá longe e perceber que Ele está perto. Muito perto. Se esse tema mexe com você, vale ler também por que Deus não pune.

Na prática, responda com o seu coração…

  • Você já teve um momento em que sentiu essa paz que o Gerry descreve? Onde estava e o que fazia?
  • O que você sentiu quando ouviu esse vídeo pela primeira vez?
  • Existe alguma situação recente em que você conseguiu “soltar o ego” e viu a situação mudar?

Como se conectar com essa frequência no dia a dia

Você não precisa de um retiro nem de horas de meditação para começar. Veja um passo a passo simples (as sugestões são nossas, inspiradas na fala do Gerry):

  1. Perceba a reação. Quando sentir raiva, ciúme ou medo, apenas note: “o meu ego está no comando agora”.
  2. Respire antes de responder. Três respirações lentas já criam espaço para o observador tranquilo aparecer.
  3. Pergunte de um jeito maior. Troque “por que isso acontece comigo?” por “o que essa situação está me mostrando?”.
  4. Solte o que não depende de você. Escolha uma preocupação e diga mentalmente: “isso eu entrego”.
  5. Confie. Como Gerry diz, você só precisa confiar. Repare como você se sente depois.

Exercício para fazer hoje

Lembra da situação que você escolheu lá em cima? À noite, separe cinco minutos. Escreva em um caderno como o seu ego viu aquela cena. Depois, feche os olhos, respire fundo três vezes e escreva de novo, agora como o “observador tranquilo” veria. Compare as duas versões. Qual delas traz mais paz?

Se você gosta de práticas assim, também vai gostar de entender a frequência vibracional e por que você não precisa matar o ego para viver em paz.

Ferramentas que ajudam a sentir essa frequência

Algumas pessoas se conectam melhor com apoio:

  • Apps de meditação guiada: ajudam quem nunca meditou a começar com poucos minutos por dia.
  • Caderno de gratidão: anotar três coisas boas por dia treina o olhar para além do ego.
  • Cursos de meditação para iniciantes: bons para quem quer criar uma rotina com orientação.
  • Leitura: livros sobre espiritualidade e autoconhecimento ajudam a aprofundar essas perguntas.

Quem é Gerry Hussey

Gerry Hussey é um psicólogo de alta performance da Irlanda, com cerca de 20 anos de trabalho na área de saúde e desempenho humano. Ajudou atletas e equipes em competições como os Jogos Olímpicos e hoje é conhecido como “The Soul Coach”. É autor de livros que foram best-sellers na Irlanda, como Awaken Your Power Within e The Freedom Within, e cofundador do Soul Space. No Instagram, ele está em @gerry_hussey.

O trecho deste artigo é do podcast On Healing, da Olivia Hunt (@olivia.hunt__).

Perguntas frequentes

O que é Deus segundo Gerry Hussey?

Para ele, Deus é uma frequência, um campo de energia que existe dentro de todos nós, o tempo todo, e ao qual todos temos acesso direto.

O que é a frequência divina?

É o sentimento de paz e amor que, segundo Gerry, aparece quando soltamos as emoções e as necessidades do ego. Ele também chama isso de consciência crística.

Deus está dentro de nós?

Na visão de Gerry, sim: carregamos o humano e o divino ao mesmo tempo. A Bíblia também fala de um Deus que não está distante, pois “nele vivemos, nos movemos e existimos” (Atos 17:28, NVI), embora o apresente como um ser pessoal.

A ciência comprova que Deus é uma frequência?

Não. A ciência estuda as experiências de conexão, como as da meditação, mas não afirma o que é Deus. Essa é uma visão espiritual.

Como me conectar com Deus no dia a dia?

Perceber as reações do ego, respirar antes de responder, fazer perguntas mais profundas e confiar são passos simples para começar.

Para se aprofundar

Se você quer ir mais fundo nesse tema, o livro Awaken Your Power Within, do próprio Gerry Hussey (em inglês), é um bom começo.

Conclusão

Talvez Deus nunca tenha estado tão longe quanto parecia. Talvez Ele esteja no espaço entre a raiva e a resposta, na respiração antes da briga, no silêncio que aparece quando você solta.

E para você, o que é Deus? Se quiser continuar nessa reflexão, leia também sobre por que você nunca está sozinho.

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Fontes

  • Brewer, J. A. et al. (2011). Meditation experience is associated with differences in default mode network activity and connectivity. PNAS. doi.org/10.1073/pnas.1112029108
  • Yaden, D. B. et al. (2017). The Varieties of Self-Transcendent Experience. Review of General Psychology. doi.org/10.1037/gpr0000102
  • Bíblia: Nova Versão Internacional (NVI).
  • Vídeo: Gerry Hussey no podcast On Healing, de Olivia Hunt (@olivia.hunt__).