Transformar o negativo em positivo: por que nem o seu vício é tempo perdido, segundo Bashar

São 23h. Você prometeu a si mesmo que hoje seria diferente: nada de ficar no celular até de madrugada, nada de mais um doce, nada de mais uma compra por impulso. E lá está você de novo.

A primeira coisa que aparece não é a vontade de mudar. É aquela voz que diz: “Mais um dia jogado fora.”

E se essa voz estiver errada? Bashar tem uma resposta que vira essa lógica de cabeça para baixo, e é sobre isso que vamos falar.

Resposta rápida: Para Bashar, transformar o negativo em positivo começa quando você aprende algo com a fase difícil. Se existe aprendizado, não é desperdício. E o simples fato de você desejar outra coisa já mostra que existe em você força para mudar.

O que Bashar ensina sobre transformar o negativo em positivo

Em um trecho de uma de suas transmissões, uma pessoa conta ao Bashar que há anos enfrenta problemas com dependência química e que isso está destruindo a vida dela.

A primeira resposta dele parece estranha: “Que empolgante pra você.”

Quem acompanha Bashar sabe que essa é uma provocação frequente dele. Não é deboche (essa leitura é nossa): é um jeito de tirar a pessoa do lugar de vítima e colocá-la no lugar de quem pode aprender alguma coisa com o que está vivendo.

Em seguida, ele faz duas perguntas simples: “O que você aprendeu?” e “É isso que você prefere?”. A pessoa responde que não, que quer se livrar disso e reconstruir a vida.

E é aqui que fica interessante.

A primeira ideia: não é desperdício

Bashar diz que ela pode aprender algo com essa experiência e pergunta se esse aprendizado vai melhorar a vida dela. A resposta vem rápida: “Com certeza, se eu conseguir.”

Então ele conclui: se você está aprendendo, está transformando o negativo em positivo. Portanto, não é desperdício. E faz questão de repetir: essa é a primeira ideia.

Repare que ele não diz que o vício é bom, nem que a pessoa deve continuar. Ele diz que o tempo vivido ali não foi em vão, desde que vire aprendizado.

Força para ter escolhido passar por isso

A segunda ideia é ainda mais ousada. Segundo Bashar, a pessoa é forte o bastante para ter escolhido passar por aquilo e sair do outro lado. Ele chama isso de “uma experiência de força”.

Na visão dele, a fase difícil não prova fraqueza. Prova força.

A empolgação que diz “eu prefiro outra coisa”

Por fim, Bashar descreve o que essa experiência parece dizer: eu posso ir às profundezas da escuridão, da desconexão, da sensação de estar fora de controle, e mesmo assim ainda sinto uma empolgação que diz “eu desejo, eu prefiro outra coisa”, porque sei que tenho poder para transformar isso.

Para ele, essa é a primeira coisa que se ouve. Ou seja: a vontade de mudar já é a prova de que a mudança é possível.

Mas como isso funciona na vida real, longe do palco?

Como isso aparece no dia a dia (exemplos nossos)

Os exemplos abaixo são nossos, não falas do Bashar. Servem para desenhar a ideia na prática.

O celular da madrugada. A Marina passa três horas por noite rolando a tela. Um dia ela percebe que só pega o celular quando se sente sozinha. Esse é o aprendizado. Na noite seguinte, em vez de abrir o aplicativo, ela manda mensagem para uma amiga. As três horas “perdidas” mostraram a ela exatamente o que faltava.

As compras por impulso. O Rafael abre a fatura do cartão e sente vergonha. Olhando para trás, nota que compra sempre depois de um dia ruim no trabalho. A partir daí, monta um orçamento simples e passa a dar outro destino para a frustração. A fatura virou um mapa.

O doce depois da briga. A Ana sempre ataca o pote de doce depois de discutir com a mãe. Quando entende isso, começa a nomear o que sente (“estou magoada”) antes de abrir o armário. A vontade não some de um dia para o outro, mas deixa de mandar sozinha.

O relacionamento que sempre volta. Alguém reata pela quarta vez uma relação que faz mal. Na quarta, percebe que volta por medo de ficar só. Esse aprendizado é o que permite, finalmente, colocar um limite.

Em todos os casos, o “tempo perdido” só deixou de ser perdido no momento em que virou pergunta: o que isso está me mostrando?

E você: qual é o seu “mais um dia jogado fora”? O que ele está tentando te mostrar?

O que a ciência diz

A ideia de crescer a partir de uma fase difícil não é só espiritual. A psicologia estuda isso há décadas.

Crescimento pós-traumático. Os psicólogos Richard Tedeschi e Lawrence Calhoun desenvolveram a teoria do crescimento pós-traumático nos anos 1990. Em 1996, eles publicaram um questionário que mede mudanças positivas relatadas por quem passou por eventos muito difíceis, com áreas como novas possibilidades, relação com os outros, força pessoal, mudança espiritual e valorização da vida. (estudo original no Journal of Traumatic Stress) goodtherapyaltmetric

O peso da culpa depois de um deslize. O psicólogo Alan Marlatt descreveu o chamado efeito da violação da abstinência: um deslize pode gerar sentimentos de culpa e fracasso, e isso aumenta a probabilidade de uma recaída. Pesquisas mostram que o risco cresce quando a pessoa atribui o deslize a fatores internos, estáveis e globais, como falta de força de vontade. Em outras palavras: enxergar o tropeço como “tempo perdido” e prova de fraqueza atrapalha. (revisão no Alcohol Research & Health) nihencyclopedia

Autoeficácia. Albert Bandura, da Universidade Stanford, propôs que a crença na própria capacidade determina se a pessoa começa a enfrentar algo, quanto esforço coloca e por quanto tempo persiste diante dos obstáculos. E essa crença cresce com experiências reais de superação. (artigo na Psychological Review) susana

Para deixar claro: a ciência não fala em “escolher” uma experiência antes de vivê-la, isso é ensinamento do Bashar. O que os estudos mostram é que a forma como você interpreta a fase difícil muda o que acontece depois.

E existe um livro muito antigo que já contava essa história.

O que a Bíblia diz sobre isso

O filho que voltou. Na parábola do filho pródigo (Lucas 15), o filho mais novo vai para longe e desperdiça tudo o que tinha. No fundo do poço, a Bíblia diz que ele “caiu em si” e decidiu voltar. O pai não pergunta pelo dinheiro perdido: faz uma festa. A fase que parecia puro desperdício virou o caminho de volta para casa.

O conflito de Paulo. Em Romanos 7, o apóstolo Paulo confessa que muitas vezes não faz o bem que quer e acaba fazendo o que não quer. Quem já tentou largar um hábito conhece essa luta por dentro.

Força na fraqueza. Em 2 Coríntios 12, o mesmo Paulo escreve: “quando sou fraco, então é que sou forte”. É muito próximo do que Bashar chama de experiência de força.

O mal que vira bem. Em Gênesis 50, José diz aos irmãos que o venderam que aquilo que eles planejaram para o mal, Deus transformou em bem.

Esse paralelo é nosso, não do Bashar. Mas a mensagem se encontra: o que parecia perda pode ser exatamente o terreno onde a sua força aparece.

Agora, vamos para a prática.

Como transformar o negativo em positivo: 5 passos

1. Troque “tempo perdido” por “o que isso me mostrou?” Toda vez que pensar “joguei mais um dia fora”, pare e pergunte o que aquele momento revelou sobre você: cansaço, solidão, medo, tédio.

2. Escute o seu “eu prefiro outra coisa”. Escreva em uma frase o que você deseja no lugar do hábito. Bashar diz que essa vontade é a primeira coisa que se ouve. Dê voz a ela.

3. Separe o deslize da sua identidade. Um dia ruim não define quem você é. Em vez de “eu sou fraco”, tente “hoje foi difícil, e amanhã eu tento de novo”.

4. Colecione provas de força. Anote cada pequena vitória: uma noite sem celular, uma compra que você não fez. É assim que a autoeficácia cresce.

5. Peça ajuda. Força também é deixar alguém caminhar com você: um amigo, um grupo de apoio, um profissional.

Exercício para fazer hoje: a carta da fase difícil

Separe 10 minutos e um caderno. Responda por escrito:

  1. O que essa fase já me ensinou sobre mim?
  2. O que eu prefiro viver no lugar dela?
  3. Que prova de força eu já dei, mesmo pequena?

Guarde a carta e releia daqui a uma semana. Você vai perceber que o “tempo perdido” já começou a virar outra coisa.

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Ferramentas que ajudam a transformar uma fase difícil

Algumas ferramentas simples facilitam muito esse processo:

  • Caderno ou diário de autoconhecimento, para o exercício da carta e para anotar suas provas de força.
  • App de meditação guiada, para criar uma pausa entre a vontade e a ação
  • Planilha ou curso de finanças pessoais, se o seu hábito difícil passa pelas compras
  • Um curso de inteligência emocional, para aprender a nomear e acolher o que você sente.
  • Terapia online, para quem quer acompanhamento sem sair de casa

Quando buscar apoio profissional

Este texto traz uma visão espiritual e reflexões práticas, mas não substitui acompanhamento profissional. Se um vício está afetando sua saúde, seu trabalho ou suas relações, procure um médico, um psicólogo ou o CAPS da sua cidade, que atende pelo SUS. Grupos de apoio também fazem muita diferença.

Se estiver em sofrimento intenso, ligue para o CVV no 188 ou acesse cvv.org.br.

Quem é o Bashar?

Bashar é um ser que se apresenta como de outra civilização e se comunica por meio do canalizador norte-americano Darryl Anka desde os anos 1980. Seus ensinamentos falam de seguir a empolgação, de crenças e de como cada pessoa cria a própria experiência. Você encontra mais informações no site oficial do Bashar.

Perguntas frequentes

O que significa transformar o negativo em positivo?

Segundo Bashar, é tirar aprendizado de uma experiência difícil. Quando você aprende algo que melhora a sua vida, aquela fase deixa de ser desperdício.

Bashar diz que o vício é bom?

Não. Ele pergunta se aquilo é o que a pessoa prefere, e ela diz que não. O ponto dele é que, mesmo no vício, o tempo vivido pode virar aprendizado e força para mudar.

Por que Bashar disse “que empolgante pra você”?

É uma provocação comum dele. Na nossa leitura, serve para mostrar que até uma situação difícil pode ser vista como oportunidade de aprendizado.

Existe base científica para crescer com as dificuldades?

Sim. A psicologia estuda o crescimento pós-traumático desde os anos 1990, e pesquisas sobre autoeficácia mostram que experiências de superação fortalecem a confiança na própria capacidade.

O que a Bíblia diz sobre transformar o mal em bem?

Há vários exemplos, como a história de José em Gênesis 50, a parábola do filho pródigo em Lucas 15 e a frase de Paulo “quando sou fraco, então é que sou forte”, em 2 Coríntios 12.

Como começar a transformar o negativo em positivo hoje?

Troque a pergunta “por que eu perdi tempo?” por “o que isso me mostrou?” e escreva o que você prefere viver no lugar do hábito.

Para se aprofundar

Se você quer entender como os hábitos se formam e como mudá-los, vale ler “O Poder do Hábito”, de Charles Duhigg. É um livro prático, cheio de histórias reais, que conversa muito bem com a ideia de transformar o negativo em positivo.

Conclusão

Nem o seu vício é tempo perdido. Para Bashar, se existe aprendizado, existe transformação, e a vontade de viver outra coisa já é a prova da sua força.

E você, que fase difícil da sua vida mais te ensinou? Conta nos comentários. Se quiser continuar essa conversa, leia também o que Bashar ensina quando tudo dá errado.

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