Pai, por que me abandonaste? O significado segundo Bashar
Você abre o grupo da família e vê as fotos do almoço de domingo. Todo mundo foi. Ninguém te chamou. Antes de qualquer pensamento organizado, vem aquela frase que parece subir do estômago: “por que comigo?”.
Até Jesus, na cruz, disse algo parecido: “Pai, por que me abandonaste?”. E o Bashar tem uma explicação para essa frase que muda o jeito de olhar para os momentos em que a gente se sente deixado de lado.
Resposta rápida: segundo Bashar, quando Jesus perguntou “por que me abandonaste”, ele estava representando o lado humano, o jeito como a mente física costuma pensar quando se sente vítima. Jesus representava o espectro inteiro, o claro e o escuro. E é aceitando os dois lados que a gente consegue soltar o que pesa, se equilibrar e lembrar que cria a própria realidade com aquilo em que acredita.
Este artigo apresenta a visão do Bashar, canalizado por Darryl Anka. Não é um texto religioso e não pretende substituir a fé de ninguém.
“Por que me abandonaste?”: de onde vem essa frase
Os evangelhos de Mateus (27:46) e Marcos (15:34) contam que, na cruz, Jesus clamou “Eli, Eli, lamá sabactâni?”, que quer dizer “Deus meu, Deus meu, por que me abandonaste?”. A frase é o primeiro verso do Salmo 22.
Durante séculos, ela intrigou muita gente. Como alguém tão conectado poderia se sentir abandonado?
Esse contexto bíblico é nosso e não aparece no vídeo. O Bashar vai direto ao significado.
O que o Bashar diz sobre “por que me abandonaste”
No trecho que legendamos, alguém pergunta ao Bashar por que Jesus disse “Pai, por que estás me abandonando?”. A resposta dele é curta: porque esse é o lado humano.
Jesus representava o positivo e o negativo
Para o Bashar, a frase mostra Jesus representando tanto o lado positivo quanto o negativo do jeito como a mente física costuma pensar. Ela representa a polaridade.
Ou seja: não era uma falha de fé. Era um retrato da experiência humana completa.
Uma frase sobre quem vive no papel de vítima
O Bashar explica que foi uma afirmação sobre algo muito comum: muitos humanos vivem no papel de vítima e, por isso, perguntam “Pai, por que me abandonaste?”.
Jesus estava encenando os dois lados, o claro e o escuro da experiência humana, e conduzindo quem assiste por esse processo.
Por que ele não deixou o escuro de fora
Aqui vem a parte mais bonita. Segundo o Bashar, Jesus representava todas as coisas, o espectro inteiro, e não ia deixar nada de fora.
Quando alguém da plateia comenta que não dá para deixar o escuro de fora, o Bashar concorda: senão não seria uma expressão completa. Não seria uma conexão completa com o que a humanidade vive. E não seria uma oportunidade completa de soltar as coisas e se equilibrar.
E aonde isso leva? Segundo ele, à ideia de que você é eterno e de que cria a sua própria realidade com os seus sistemas de crenças, com aquilo que acredita ser verdade para você.
Já mostramos outra visão do Bashar sobre Jesus no artigo Jesus segundo Bashar. Vale ler os dois juntos.
Por que se sentir abandonado dói tanto (o que diz a ciência)
A partir daqui, as explicações e os exemplos são nossos, para ajudar a aplicar o que o Bashar diz.
Se sentir excluído não é “frescura”. Em 2003, pesquisadores da UCLA publicaram na revista Science um estudo em que voluntários participavam de um jogo virtual de passar a bola e, em certo momento, eram deixados de fora.
O cérebro deles ativou uma região, o córtex cingulado anterior, que também aparece em estudos sobre dor física. Veja o estudo.
Em outras palavras, sentir o “por que me abandonaste” é profundamente humano. Exatamente como o Bashar descreve.
Quando o “por que comigo?” vira um jeito de viver
O problema não é sentir. É morar nesse sentimento. Pesquisadores israelenses liderados por Rahav Gabay descreveram a tendência à vitimização interpessoal: a sensação constante de ser vítima em vários tipos de relação.
Ela envolve quatro traços: precisar que reconheçam o seu sofrimento, se sentir moralmente superior, ter pouca empatia pela dor dos outros e ruminar ofensas antigas. Resumo na Scientific American.
Quem tem essa tendência mais forte costuma enxergar ofensas pequenas como graves e até espera ser maltratado antes de acontecer qualquer coisa.
Reconhece? É o “por que me abandonaste” virando a lente para olhar o mundo inteiro.
Exemplos do dia a dia: o lado claro e o lado escuro
Veja como isso aparece na vida real:
- No trabalho: o colega é promovido e você não. Lado escuro: “ninguém reconhece o que eu faço”. Lado claro: “o que eu quero que vejam em mim, e estou mostrando isso?”.
- Na família: sua mãe reclama que você nunca liga. Lado escuro: “ela só critica”. Lado claro: “talvez ela esteja dizendo, do jeito dela, que sente a minha falta”.
- Na amizade: uma amiga esquece o seu aniversário. Lado escuro: “eu nunca sou prioridade”. Lado claro: “posso dizer o que senti, em vez de me afastar calada”.
- No amor: o relacionamento termina. Lado escuro: “todo mundo me abandona”. Lado claro: “o que essa história me mostrou sobre o que eu não aceito mais?”.
Repare: em nenhum exemplo o lado escuro é apagado. Ele é sentido, reconhecido e usado. É o espectro completo de que o Bashar fala. Isso conversa com outro ensinamento dele: você não precisa matar o ego.
Aceitar o lado escuro ajuda? A ciência diz que sim
Um estudo publicado no Journal of Personality and Social Psychology analisou mais de 1.300 adultos. Quem tinha o hábito de aceitar as próprias emoções negativas, sem se julgar por elas, sentia menos emoções negativas diante do estresse. E, seis meses depois, quem costumava fugir dessas emoções relatava mais mal-estar emocional. Leia o estudo.
Tem mais: um estudo da UCLA mostrou que dar nome ao que você sente (“estou com raiva”, “estou triste”) reduz a atividade da amígdala, a área do cérebro ligada ao alarme emocional. Veja aqui.
É quase o que o Bashar diz com outras palavras: não dá para deixar o escuro de fora. Quando você o inclui, ele perde força.
5 passos para sair do “por que me abandonaste”
- Perceba a frase. Toda vez que pensar “por que comigo?”, “sempre sobra pra mim” ou “ninguém liga”, anote. Só perceber já tira você do piloto automático.
- Dê nome à emoção. Troque “estou mal” por uma palavra exata: rejeitada, triste, com ciúme, com medo. Como mostra a pesquisa da UCLA, nomear acalma.
- Aceite os dois lados. Diga para si: “faz sentido eu sentir isso”. Sem brigar com o sentimento.
- Troque a pergunta. Em vez de “por que isso está acontecendo comigo?”, pergunte “o que isso está me mostrando?”. A primeira prende. A segunda abre caminho.
- Dê um passo pequeno. Mande a mensagem, marque a conversa, descanse, escreva. Uma ação simples, alinhada com o que você quer viver, e não com o medo.
Se quiser ir mais fundo no passo 4, leia sobre como ressignificar o que acontece com você.
Exercício para fazer hoje: o diário dos dois lados
Pegue um caderno (ou o bloco de notas do celular) e divida a página em duas colunas.
- Coluna escura: escreva uma situação recente em que você se sentiu deixado de lado e o que sentiu, sem filtro.
- Coluna clara: escreva o que essa situação te mostrou. Um limite, um desejo, algo que você quer mudar.
Leva cinco minutos e costuma revelar um lado da situação que você ainda não tinha visto. Se aparecer ali uma crença antiga, como “eu sempre sou deixada de lado”, vale ler sobre crenças limitantes.
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Ferramentas que ajudam a acolher o lado escuro
Algumas ferramentas deixam mais leve o caminho de sair do “por que me abandonaste”:
- Um diário ou caderno de autoconhecimento, para fazer o exercício dos dois lados todos os dias.
- Apps de meditação guiada, que ensinam a observar a emoção sem se misturar com ela.
- Cursos de inteligência emocional, para quem quer aprender com método a nomear e acolher o que sente.
- Terapia, inclusive online, quando a sensação de abandono se repete muito ou pesa demais. Um profissional ajuda a entender de onde ela vem.
Quem é o Bashar
Bashar se apresenta como um ser de outra civilização e é canalizado pelo americano Darryl Anka desde os anos 1980. As mensagens falam sobre crenças, realidade, lei da atração e autoconhecimento. Saiba mais no site oficial do Bashar.
Perguntas frequentes
O que significa “Pai, por que me abandonaste”?
Nos evangelhos, é a frase dita por Jesus na cruz, que repete o início do Salmo 22. Segundo Bashar, ela representa o lado humano: o jeito como a mente costuma pensar quando se sente vítima.
Jesus se sentiu realmente abandonado?
O Bashar não fala em fraqueza. Para ele, Jesus estava representando os dois lados da experiência humana, o claro e o escuro, para que nada ficasse de fora.
Por que Jesus mostrou o lado escuro, segundo Bashar?
Porque, sem ele, não seria uma expressão completa nem uma conexão completa com o que a humanidade vive. Incluir o escuro dá a oportunidade de soltar e se equilibrar.
Como parar de se sentir vítima?
Comece percebendo as frases do tipo “por que comigo?” ou “por que me abandonaste?”, dando nome à emoção e trocando a pergunta por “o que isso está me mostrando?”. O exercício do diário dos dois lados ajuda bastante.
Aceitar emoções negativas não faz a gente se sentir pior?
As pesquisas indicam o contrário: quem aceita as próprias emoções sem se julgar tende a sentir menos emoções negativas no dia a dia.
Para se aprofundar
Se este tema mexeu com você, o livro O Lado Sombrio dos Buscadores da Luz, de Debbie Ford, mostra de forma prática como acolher as partes de nós que a gente prefere esconder. Combina muito com a ideia de não deixar o escuro de fora.
Conclusão
“Por que me abandonaste?” pode ser lida como um grito de desespero. Pelo olhar do Bashar, ela é um espelho: mostra o lado humano que todos temos e lembra que o escuro também faz parte da história completa.
Quando você para de fugir dele, sobra espaço para o equilíbrio. E para lembrar que é você quem cria a sua realidade.
Conta aqui nos comentários: qual foi a última vez que você pensou “por que comigo?”, e o que essa situação te mostrou depois?
E, se quiser continuar, leia sobre por que você nunca está sozinho.
Leia também
- Guardar mágoa prende você
- Como deixar de depender da aprovação dos outros
- Quando terminar um relacionamento
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